O que é?

A simplicidade voluntária é sobretudo um processo de crescimento pessoal. Pretende-se com esta caminhada criar um “espaço” de questionamento sobre as nossas reais necessidades, e proporcionar a possibilidade de viver, por uns momentos, uma vida simples, em ligação com a natureza, num ambiente de partilha e convivialidade.

Não existe qualquer filiação politica, religiosa ou sindical, caminhamos juntos, como seres humanos, na ideia de mudar positivamente as nossas vidas.

O que é a simplicidade voluntária, afinal?


” A simplicidade não é a pobreza, é um despojar que nos deixa mais espaço para o espírito, para a consciência. É um estado de espírito que nos convida a apreciar, a saborear, a procurar a qualidade, é uma renúncia aos artefactos que pesam, incomodam e impedem de ir até ao fim das possibilidades” ;”Hoje em dia, dou-me conta que a via da simplicidade voluntária não constitui simplesmente o melhor caminho para a saúde, mas é sem dúvida a única esperança para o futuro da humanidade”.

“A via da simplicidade voluntária abre-se por um caminho pessoal de introspecção: trata-se de cada um descobrir quem é e identificar as respostas às suas verdadeiras necessidades, e quando falo de necessidades penso para além das necessidades físicas de base, nas necessidades sociais, afectivas e espirituais. O que é que me vai preencher plenamente em todas as minhas dimensões e capacidades? No nosso mundo de abundância, isto significa que temos de escolher; não ir mais na corrente da moda, da publicidade ou do olhar os outros, mas sim em função das necessidades autênticas.”

Serge Mongeau – Vers la simplicite volontaire

Um pouco mais sobre Decrescimento e simplicidade voluntária…

O Decrescimento?
O decrescimento é um movimento de indivíduos, que um pouco por todos
os países industrializados, se questionam sobre o objectivo principal
da nossa sociedade actual: o crescimento económico.
A primeira coisa com que nos deparamos é mais que uma noção politica
ou idealista, é uma questão física! Não pode existir crescimento
infinito, isto é, sem limites, num mundo finito. Querendo isto dizer
que as matérias primas, sejam elas quais forem, terão, a um
determinado momento, um fim. Sobretudo se continuarmos a explorar
inconscientemente os recursos, sem nunca repô-los
As matérias primas que requerem a nossa principal atenção neste
momento são os combustíveis fosseis, não apenas pelo seu fim estar à
vista, mas sobretudo por cerca de 90% de toda a industria, comercio,
prestação de serviços, etc, se basear nestes para existir. Isto
significa que quando os combustíveis começarem a aumentar
consideravelmente de preço, por se tornar cada vez mais difícil a sua
extracção, o custo, por exemplo, da produção e transporte de bens de
consumo imediato aumentará, e muito. Deixará de ser rentável ir buscar
matérias primas à Ucrânia, que serão transformadas na Índia, embaladas
na China e vendidas em Portugal, porque todos os transportes serão
caríssimos, sem falar da energia necessária para a maquinaria, etc…
Será igualmente caro transportar o lixo que daí advêm para longe do
nosso olhar.
Com este exemplo apercebemo-nos que como consumidores somos
intermediários entre uma cadeia tentacular e espectacular de produção
e uma rede complexa de tratamentos de dejectos, com as quais, no nosso
dia a dia, não temos qualquer contacto e que desconhecemos quasi
totalmente.
Á primeira vista podemos pensar que o decrescimento se debate com
questões de ordem ambiental, pois, ao questionar os limites do
crescimento económico depara-se inicialmente com a destruição dos
recursos naturais, mas este questionamento leva-nos mais além,
damo-nos rapidamente conta da degradação social gerada por este estilo
de vida, o do sempre mais. Mais conforto, mais consumo, mais bens
materiais, mais trabalho, mais custos do conforto, mais tempo nos
transportes públicos ou nas filas de trânsito.
Por o capitalismo não ser uma ideologia, mas uma teoria económica, e
por isso não ter carácter político e social, é vazio a nível humano.
No entanto, tornou-se o motor impulsionador de quase todas as
sociedades, mesmo as de terceiro mundo. Uma sociedade baseada numa
teoria vazia não pode senão gerar uma sociedade com um enorme vazio
humano. A solidão já afecta milhões de pessoas no mundo ocidental, a
depressão é a doença do século XXI. Daí nos perguntar-mos, onde vamos
com esta sociedade em que os valores do foro da economia se sobrepõe
aos valores humanos?
O decrescimento baseia-se nestes dois pontos principais, o ambiente, e
os limites físicos do planeta, e as questões sociais.
O que fazer face a tudo isto?
A primeira coisa é tomar consciência. Quando se está consciente do que
se passa à nossa volta podemos tomar decisões e opções em função disso
e ter poder sobre o rumo da nossas vidas. Muitas pessoas em todo o
mundo fazem a escolha da simplicidade voluntária, o que, por outras
palavras, é optar por ter menos dinheiro, portanto, consumir menos,
mas ter mais tempo para si e para os outros. Ter um emprego em part
time, uma casa com uma renda mais baixa, ir para o campo cultivar a
terra, a auto suficiência, fazer hortas urbanas, são alguns exemplos.
A cada um a sua forma!
Uma vez em consciência podemos sempre ajudar os outros a olhar para o
mundo com olhos de ver. Quantos mais tomarmos decisões conscientes
mais fraco fica o sistema.
Apenas poderemos ter uma vida conforme a nossa vontade quando
construirmos um sistema mais adaptado às nossas necessidades humanas.
Construamos um novo presente!

Ana Loichot

18 responses

3 01 2010
Quinta dos Melros

Muito bom, sim Senhora!

7 01 2010
Eduardo "ambifuga"

Parabéns, Ana. Gostei MUITO do que li!
Estou em falta, tenho de me dedicar mais.
Até breve…

7 01 2010
analoichot

Eduardo!
Ainda vais muito a tempo! Planeio ir visitar as quintas assim que as finanças me permitirem, gostava de encontrar os percursos pedestres em conjunto com as quintas pois conheçem a zona. Tu pareces conhecer bem esses lados podias ir investigando, quando puderes, claro.

16 01 2010
Miguel Paiva

Eu sempre fui um defensor da simplicidade e solidariedade e um rejeitador da abundância e capitalismo. Mas admito que estava com falta de noções e este artigo fez-me imensamente bem. Muito bem expresso, e rico em conteúdo.

17 01 2010
analoichot

Obrigada Miguel,
fico contente que os conteudos estejam claros e acessiveis as pessoas!
Um abraço,
Ana

25 02 2010
tempodossonhos

Olá Ana e PARABÉNS. Está Luminoso, sucinto, lucido, motivador e equilibrado. É sem duvida um artigo mto inspirado e inspirador. KK pessoa k visite o blog percebe perfeitamente o conceito e vai ficar a adorar. Se não for antes encotramonos na CAMINHADA.
Bjokas
PAULA PÃO ALVO

2 03 2010
Paula

Olá:

Tenho uma amiga que tem uma belíssima quinta em Condeixa, talvez vos possa ajudar.
Manuela Afonso : casarenascer@gmail.com

Abraço:

Paula

2 03 2010
analoichot

Já contactei a tua amiga,
Obrigada Paula

15 03 2010
Vanda Campos

Ola Ana!

Nem sabe como ouvir e ler o que escreveu me deixa ainda mais motivada pois penso exactamente dessa forma e por vezes ponho em causa a minha maneira de ver as coisas, que é simples, correcta e honesta para com os outros. Creio que a sociedade tem uma carga de ambição e competição dentro dos seres humanos que se deixam levar por coisas efemeres vazias e que não lhes levam ao seu auto-conhecimento a uma consciência mais elevada. Concordo é uma teoria vazia desprovida de sentimentos e emoções onde só importa é ter mais e mais dinheiro para cobrir mais e mais necessidades que muitas vezes as pessoas nem tem consciência que não é em algo palpável que se encontra o cerne do ser humano, mas sim na vida simples e conjunta. Enfim..agradou-me muito esta caminhada, será que é possível juntar-me a vocês noutro local noutra data?
E felizmente por ver linhas de pensamento semelhantes, é sinal que as consciências estão a mudar.
Gratos,

Vanda

16 03 2010
analoichot

Vanda, fico contente de ler o seu comentário!
Pode juntar-se a nós em qualquer ponto da caminhada, as nossas paragens estão na secção percurso e há um google maps onde pode encontrar as quintas!
Espero ve-la em breve 😉
Ana

17 03 2010
Isola Bela

Concordo, eu decidi o ano passado reduzir os meus pertences físicos a tal ponto que sou capaz de metê-los numa hora na bagageira do meu carro (o carro é importante para o trabalho porque circulo por locais sem transportes públicos acessíveis, pessoalmente podia dispensá-lo, gosto sobretudo de andar a pé e de comboio), em todo o caso o meu carro consome pouco, já é sénior mas “afinado”, e eu conduzo como as velhotas, stressa-me conduzir como a maioria das pessoas, acho-as um pouco patéticas assim sempre tão cheias de pressa para coisa nenhuma 😉 … Não me preocupo com móveis nem nada que não seja para vestir e calçar… enfim é uma necessidade e glamourosa, sou forretíssima em tudo o que não seja despesa para viajar e fazer formação, enervam-me o consumo e as tralhas! Bom sucesso para o vosso projecto…

17 03 2010
analoichot

Boa Isola!
Continua no “poupanço” e se tiveres tempo anda caminhar um pouco connosco!

9 04 2010
Ana Cardoso

Ana, o seu texto é do mais claro e verdadeiro que li nos últimos anos. Fico muito feliz por ver movimentos como este a florescer. Ainda bem que o desenvolvimento tecnológico (redes sociais e web social) tem dado voz a muitos como nós que temos dificuldade em tê-la.
Acredito que a mudança só pode partir das pessoas (não das elites como nos fazem crer), e acredito, fundamentalmente, que a educação é chave para essa mudança. Mas não é a educação que temos actualmente e que resulta desse modo de vida. Precisamos de educar os nossos filhos para tomarem conta do seu futuro.

10 04 2010
Carla Magic Moments

Ana, gostámos imenso de ler o texto e revimo-nos perfeitamente em tudo o que foi dito.
Estamos há mais ou menos há 5 anos a ter esta nova forma de vida, e ainda hoje falávamos no assunto, e para nós alguma vez seria possível voltar a viver da forma que viviamos. Simplesmente porque esta nova forma de viver, é uma forma de sentir, não é tão racional, simplesmente é!
Até breve!
Carla e Nuno

1 09 2010
Mário Alves

Fabuloso texto, onde se encontra tudo o que qualquer ser humano deveria ler, para melhor tirar partido da sua existência na terra, para seu bem e de todos os outros.
Não vos quero perder, e se possível, encontrá-los rapidamente.

Mário

2 09 2010
Ana Loichot

Mário,
Obrigada!
O texto não tem copyright, por isso estás à vontade para passar por ai, a todos os que achas que deveriam lê-lo…
Beijinhos
Ana

19 09 2011
TEREZINHA

O que é “SER”humano ? Somento um “SER” humano pode ser humano consigo mesmo e com seu próximo.
Assim, um “SER humano desenvolvido”, precisa desenvolver/acumular riquezas humanas (amizade, amor, alegria, PAZ, compreensão, fraternidade.
Terezinha Parreira, em 18/09/2011

11 08 2012
Gabriela

Gostei do que li, por razões de saúde devido á vida stressant e de saltimbanco de professora do ensino secundário, reformei-me o ano passádo aos 43 anos, agóra vivo novamente com a minha mãe, e por razões de espaço e económicas também ando a despojar-me da maior parte das minhas tralhas, para poder alugar a turistas para férias o meu apartamento e desta forma poder pagar á minha mãe o dinheiro que me emprestou para salvar uma divida que tinha no banco resultante da compra do meu apartamento e do meu carro. Não me arrependo nada de me ter reformado do ensino, embora neste momento trabalhe mais de verão e ao fim de semana do que o resto do ano, mas acabo por ter mais tempo para pintar, estudar inglês, nadar e fazer hidroginástica e para a minha família…!!!

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